GEMBA – Ir ao local
Muita se fala em GEMBA, palavra japonesa que significa o “verdadeiro lugar”. Lugar onde as coisas realmente acontecem.
Estamos em 1996, eu, engenheiro jr, 28 anos comandando o time de manutenção da Fab.Lubes recebe em sua sala o sup.produção dizendo que ouviu um barulho estranho na máquina principal da fábrica (vulgarmente chamada de 24/1).
Chamo meus mecânicos e o barulho vem debaixo da máquina, cada vez mais forte e pedimos para ela seja paralisada.
Só ouvi do lado do meu ouvido: Parar? Quanto tempo vai ficar parada? Você sabe que essa máquina é a principal máquina da fábrica?
Ciente de todos riscos parei a produção. Se o conceito GEMBA é ir ao local e ver acontecer, eu fui. Presente, atuando, conversando com os responsáveis, ao lado do problema, verificando o equipamento (Gembutsu), buscando a raiz do problema.
Nem sabia ao certo sobre a filosofia, mas a vida fez estar ali naquele momento.
O problema era o desgaste do rolamento central. Importante: Máquina importada, italiana (OCME) e o acesso para esse rolamento é por baixo rente ao chão e permitido somente a uma pessoa magra, bem magra.
Conversamos com o time e somente o Antonio Melo teria essas características. Chamamos ele para iniciar os trabalhos.
Nesse momento já ao meu lado, estava o Ger.Produção e o Ger.Geral da Fábrica perguntando qual era a situação. Expliquei com detalhes o que estava acontecendo e os problemas que poderíamos enfrentar (não remover o rolamento e não encontrar o rolamento italiano no Brasil)
Tempo passando, pressão aumentando, 8 horas e nada de removermos o rolamento.
Em paralelo, orientei a minha equipe a buscar 2 ou 3 fornecedores de rolamentos, buscar o telefone de contato, inclusive o residencial (não existia celular) e fazer contato com a OCME para verificar a possibilidade de ter um técnico trazendo o rolamento da Itália.
Entramos pela madrugada, removemos o rolamento, buscamos as 6h da manhã um rolamento em um fornecedor e montamos novamente para que a máquina voltasse a funcionar as 10:40.
Posso escrever que foi muita pressão externa e interna pois sabia a importância do equipamento para toda a fábrica. Mas não falhei em ouvir meu time, em ouvir os operadores e estar lá do lado durante toda a madrugada com eles até ela rodar novamente.
Muitas vezes gestores falham nessa tomada de decisões pois ignoram as ações que precisam ser feitas e as ações futuras que precisam estar planejadas.
Eles desprezam todo o conhecimento que pode ser adquirido ao conversar com aqueles que fazem o processo acontecer todos os dias, que conhecem as falhas e que podem ter ideias que resolverão os problemas.
A essência de tudo que você leu pode ser resumida nesta frase: para entender você precisa ver, identificar os problemas e elaborar planos de ação para solucioná-los.